Dor no joelho ao subir escada: causas e tratamento

Dor no joelho ao subir escada: o que pode ser e o que realmente ajuda

Você sobe dois lances de escada e sente aquela pontada na frente do joelho. Ou é na descida que dói mais. Às vezes incomoda também ao levantar da cadeira, ao agachar para pegar algo no chão ou depois de ficar muito tempo sentado no cinema ou no carro.

Eu sei o quanto isso desanima. Quando o joelho dói em algo tão simples do dia a dia, a gente começa a evitar a escada, a caminhada, o passeio, e a rotina vai ficando limitada. Essa dor é real e merece ser cuidada.

Se isso soa familiar, quero que você saiba de uma coisa: essa é uma das queixas que eu mais escuto no consultório. E, na maioria das vezes, existe explicação e existe tratamento sem cirurgia.

Por que a dor no joelho aparece ao subir escada

Quando você sobe um degrau, o joelho trabalha dobrado e carregando o peso do corpo. Nessa posição, a patela (o ossinho redondo na frente do joelho) é pressionada com força contra o fêmur. Se a articulação, a cartilagem ou os músculos que controlam esse movimento não estão dando conta da carga, a dor aparece justamente aí.

Algumas pessoas sentem mais na subida, outras na descida. A dor ao subir ou descer escada mostra que o joelho precisa de atenção, mas não diz sozinha qual é a causa. Descobrir isso, com calma, é o meu trabalho.

As causas que eu mais encontro

  1. Dor patelofemoral (a antiga "condromalácia")

É a dor ao redor ou atrás da patela, que piora ao subir e descer escadas, agachar e ficar muito tempo sentado com o joelho dobrado. Vejo muito em pessoas jovens e ativas, em quem corre, treina ou aumentou a atividade de repente, e é mais comum em mulheres. Muitas vezes o exame de imagem vem normal. Se isso aconteceu com você, fique tranquilo: não quer dizer que a dor seja "da sua cabeça". O problema está em como a articulação está lidando com a carga.

  1. Artrose no joelho

Com o passar dos anos, a cartilagem pode se desgastar. A dor costuma aparecer ao subir escada, ao levantar depois de ficar sentado e no começo do movimento, com uma rigidez que melhora depois de alguns minutos. Pode haver inchaço de vez em quando. É mais comum a partir dos 50 anos e em quem tem sobrepeso ou já teve alguma lesão no joelho.

  1. Tendinite (tendinopatia) patelar

Aqui a dor fica logo abaixo da patela, no tendão. É mais comum em quem pratica esportes com saltos e costuma doer no início do exercício e ao subir escada.

  1. Outras causas

Lesões de menisco, problemas no quadril que "irradiam" para o joelho e a forma de pisar também podem estar por trás da dor. Por isso, quando eu avalio um joelho, nunca olho só para o joelho.

Quando não esperar

Procure atendimento médico logo se você tiver:

  • inchaço grande que apareceu de repente;
  • joelho quente, vermelho ou febre;
  • joelho que trava ou "falseia" (parece que vai sair do lugar);
  • dor depois de uma queda ou torção;
  • dor forte à noite, que não melhora com repouso;
  • dificuldade para apoiar o peso na perna.

O que realmente ajuda

As principais diretrizes internacionais concordam em um ponto, e é o que eu explico em quase toda consulta: o exercício orientado é a base do tratamento, tanto na dor patelofemoral quanto na artrose.

  • Fortalecer quadril e joelho juntos. Na dor patelofemoral, os programas que trabalham os músculos do quadril e da coxa em conjunto funcionam melhor do que exercitar só o joelho.
  • Ajustar a carga, e não parar tudo. Repouso total costuma enfraquecer ainda mais a musculatura. O caminho é reduzir por um tempo o que provoca dor e ir aumentando aos poucos.
  • Entender o que está acontecendo. Saber o que você tem e o que esperar do tratamento já faz parte dele. As diretrizes de artrose colocam essa orientação ao lado do exercício como tratamento central.
  • Controlar o peso, quando for o caso. Na artrose, cada quilo a menos alivia a carga sobre o joelho.
  • Medicamentos, com orientação. Anti-inflamatórios em gel, aplicados no joelho, têm boa recomendação para artrose. Remédios por via oral devem ser usados com critério e acompanhamento médico.
  • Procedimentos, em casos selecionados. Quando a dor está atrapalhando a reabilitação, a infiltração no joelho (com corticoide ou ácido hialurônico) pode ser considerada para alguns pacientes com artrose. Não é o tipo de procedimento que se escolhe antes da consulta: depois de avaliar o seu caso, se eu entender que é indicado, eu oriento e faço o procedimento no consultório, guiado por ultrassom, para enxergar a agulha e aplicar o medicamento no lugar certo. Mas deixo sempre claro: eles não substituem o exercício. Eles ajudam você a conseguir fazê-lo.

Nenhum desses recursos funciona igual para todo mundo. A escolha depende da causa da sua dor, da sua idade, da sua rotina e do que você quer voltar a fazer.

Como eu avalio e trato a sua dor no joelho

Antes de indicar qualquer procedimento, eu preciso entender a causa da sua dor. Por isso a minha consulta dura cerca de uma hora.

Nesse tempo, eu converso com você sobre a história da dor: quando começou, o que piora, o que alivia, o que você já tentou. Depois examino o joelho, o quadril e a forma como você se movimenta, e olho também para a sua rotina e a ergonomia do seu dia a dia. Quando ajuda, eu mesma faço o ultrassom ali, na própria consulta, para olhar os tendões e a articulação por dentro. Sempre que eu entender necessário, peço os exames. Muitas vezes a resposta está num detalhe que só aparece nessa conversa.

Com isso, monto um plano junto com você. Ele pode combinar exercícios, fisioterapia (que também é feita aqui na clínica, quando eu indico), ajustes na rotina, medicamentos com orientação e, se depois da avaliação eu entender que é indicado para você, um procedimento como a infiltração guiada por ultrassom ou a viscossuplementação. O meu objetivo, como fisiatra, é que você volte a subir escadas, caminhar e fazer o que gosta, sem cirurgia sempre que possível.

Perguntas que eu mais escuto no consultório

Dor no joelho ao subir escada é sempre artrose?

Não. Em pessoas jovens e ativas, a causa mais comum é a dor patelofemoral. A artrose é mais frequente depois dos 50 anos. Só a avaliação diferencia uma da outra.

Devo parar de subir escada?

Na maioria dos casos, não é preciso evitar escadas para sempre. Pode ser útil reduzir por um tempo enquanto o tratamento começa e depois voltar aos poucos.

Preciso fazer ressonância?

Nem sempre. Muitas causas de dor no joelho são identificadas pela conversa e pelo exame físico. Sempre que eu entender necessário, peço os exames, principalmente quando o resultado pode mudar o tratamento.

Joelheira resolve?

Joelheiras e fitas podem aliviar em alguns casos, mas não substituem o fortalecimento e não servem para todo mundo.

Se a dor no joelho está limitando a sua rotina, eu posso ajudar você a entender a causa e o caminho mais adequado para o seu caso. Saiba mais sobre o tratamento da dor no joelho.

Dra. Amanda Rie Tachibana · Médica Fisiatra · CRM-SP 216.641 · RQE 152.600

Likkas Medical Center · Rua Juquis, 276, Moema, São Paulo

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.

Referências

  1. Crossley KM, et al. 2016 Patellofemoral pain consensus statement from the 4th International Patellofemoral Pain Research Retreat, Manchester. Part 1: terminology, definitions, clinical examination, natural history, patellofemoral osteoarthritis and patient-reported outcome measures. Br J Sports Med. 2016;50(14):839-843. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4975817
  2. Collins NJ, et al. 2018 Consensus statement on exercise therapy and physical interventions (orthoses, taping and manual therapy) to treat patellofemoral pain. Br J Sports Med. 2018;52(18):1170-1178. https://bjsm.bmj.com/content/52/18/1170
  3. Bannuru RR, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. https://wrap.warwick.ac.uk/125416/
  4. Cochrane Review CD010387. Exercise therapy for patellofemoral pain. https://www.cochrane.org/evidence/CD010387

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